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Ele me ligou. Disse para eu colocar aquele meu vestido rodado e meu salto alto preto. Que a gente ia sair, mas não podia dizer ainda onde era. Esse homem sabe me deixar ansiosa. Disse que as 20 horas me buscaria. Sabia que eu iria protestar no telefone, por isso logo disse que me amava e desligou.

Fiquei uns cinco minutos processando a ligação. Mandei mensagem no Whatsapp dele, mas sabia que não iria responder. Então comecei a arrumar. Tomei um banho quente. Estava em dúvida quanto a maquiagem. Não sabia onde iriamos, optei por uma mais natural, como de costume. Escovei os dentes. Coloquei o vestido e sentei-me no sofá para calçar as sandálias. Ele tinha bom gosto, pensei ao lembrar de quando a compramos.

Faltava quinze minutos para as 20 horas. Estava inquieta e ansiosa, mas continuei no sofá. Mandei apenas uma mensagem dizendo que estava pronta e esperei. Exatamente no horário marcado ele estava lá. Com seu melhor sorriso no rosto. Veio até mim, beijou primeiro minha testa e depois meus lábios, como de costume. Abriu a porta para eu entrar no carro.

Perguntei para onde iriamos. Ele continuou fazendo mistério. Deixei que ele guiasse o caminho e não fiz mais perguntas. Começamos a cantar as músicas que passavam no som do carro. Ele ria da minha pronuncia toda errada do inglês, mas eu nem ligava. Queria vê-lo sorrindo.

Ele estacionou o carro e quando olhei pela janela, estávamos em frente ao um dos melhores restaurantes da cidade. Olhei para ele assustada querendo entender tudo isso. Ele apenas disse para eu aproveitar nossa noite.

Desde que começamos a namorar ele sempre quis me levar a um bom restaurante. Confesso que nunca me importei com isso. Mesmo. Não me importava se a gente comia comida esquentada do almoço ou um sanduíche da esquina de casa. Eu apenas queria estar ao lado dele e compartilhar bons momentos. Independente do lugar, o que fazia ser especial era estarmos juntos. Mas eu sentia que ele tinha vontade de fazer isso por nós.

Ficamos por horas lá. Fizemos os pedidos e claro, o vinho não podia faltar. Em um momento, depois de uma risada, ele segurou minha mão, olhou nos meus olhos e disse que estava realizando um dos sonhos dele para a gente. Eu sussurrei um obrigada seguido de um sorriso enorme no rosto.

Dali paramos num parque. Nos deitamos na grama um pouco úmida do sereno. Olhamos para as estrelas. Eu segurava sua mão suavemente, mas ao mesmo tempo com uma força inabalável. E mais uma vez eu tive certeza. Não importava onde estivéssemos, em um lugar mais chique ou mais simples, desde que estivéssemos juntos, seria os melhores momentos da minha vida.


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Abri a geladeira. Vazia. A única coisa comível era uma maçã que já estava até murcha. Na última prateleira da porta tinha uma garrafa de vinho que havia aberto há uns dois meses. Preciso fazer compras, falei comigo mesma. Aliás, essa era minha maior mania; falar sozinha. Mordi a fruta enquanto pegava o vinho e fechava a geladeira com a perna.

Fui até o armário e peguei o primeiro copo que estava disponível. Era um daqueles que quando o requeijão acaba a gente lava e utiliza pra tudo. Enchi. Bebi um gole e senti o gosto do álcool, um pouco mais acentuado depois de ter o sabor da maçã na saliva. Fui até a sacada. Eu estava descalça e ainda assim meus passos pareciam fazer mais barulho do que o normal.

O apartamento estava em silêncio, mas sei lá, eu estava inquieta. Pensava em muitas coisas, mas ao mesmo tempo em nada.

Nas últimas semanas tenho tentado me reinventar de todas as maneiras. Sem sucesso. A corrida durante as manhãs tem me deixado mais disposta para o trabalho. Tenho tido bons resultados no escritório. No entanto, todas às vezes que chego em casa a sensação é a mesma.

Eu to perdendo alguma coisa, pensei.

Olhei para o movimento da avenida lá de cima. A cidade inteira parecia estar alinhada em seu devido lugar. Menos eu. Bebi o último gole do vinho. Deixei metade da maça na mesa e desci. Do décimo quinto andar até o térreo pareceu um século.

Andei sem direção por algumas horas. Por fim, acabei entrando num dessas cafés bonitinhos que tem pela cidade e que cobram um valor dobrado por uma bebida quente. No entanto, precisava aquecer meu corpo, já que tinha saído sem casaco e o vento de São Paulo tinha sensação térmica de 15 graus.

Pedi apenas um chocolate quente com café. Sentei-me nessas bancadas que possibilitam a gente ver o movimento do lado de fora. O ambiente estava lotado e o calor dos corpos ajudava a aquecer. Muitas conversas paralelas umas às outras. Dei o primeiro gole e fiquei olhando para o nada.

Você não acha que está na hora de começar algo novo?, murmurei alto para mim mesma.

“Acho!”, ouvi uma voz e virei abruptamente assustada para o lado. O cara de jaqueta de couro preta olhava para mim. “Sabe, acho que às vezes a gente subestima demais nosso potencial”, ele acrescentou. Seu olhar era profundo e suave. Era calmo na agitação da sala.

“É, eu também”, e pela primeira vez em muitos dias senti as coisas entrando no eixo dentro de mim. Os turbilhoes de pensamentos dissiparam. A gente se entreolhou novamente e começamos uma risada sem fim.

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Perdi meu domínio, mas ainda assim escrevo. Afinal, é tradição!

Meu último texto aqui foi em julho, há exatos cinco meses. Nele escrevi sobre se conhecer por inteiro. O engraçado é que escrever este texto, me fez perceber que eu não me conheço por inteira. E tudo bem, tá?! Eu não sou a única a me sentir assim. E sobre isso, cada fase de nossas vidas a gente gostará de algo diferente. O que significa que nem sempre vamos nos conhecer por inteiro. Entre os vinte e um e os vinte e dois, descobri que vida é feita de descobertas diárias. Me conhecer cotidianamente, respeitar meus medos, inseguranças e meu tempo é a chave importante do processo de descobrimento.

Esse ano enfrentei muitas batalhas diárias, mas aprendi com cada uma delas. O legal de fazer aniversário é que Deus te dá um capítulo novo para escrever sua história. Por falar em Deus, Ele sem dúvidas me conduziu nesses 365 dias. Papai continua mostrando-me diariamente o que o Ele sonha para mim. O que, tornou-se realidade. Bem, em partes. Foi ano de TCC para mim e escolhi escrever um livro. Escrevi sobre as histórias de vida e como Deus age no cotidiano dessas histórias. O livro foi intitulado D(eu)s no cotidiano. Escrevê-lo me fez sair da zona de conforto e crescer humanamente. Agora, vou em busca da publicação oficial. Torçam por mim.

Este foi meu último ano na faculdade de jornalismo. Não emendarei em uma Pós ou Mestrado, não por não ter vontade, mas por querer ir atrás de sonhos e projetos que tenho procrastinado por anos. Quero ir atrás de mim. E sinto que aos vinte e dois estou preparada para enfrentar um leão por dia afim de me encaixar na minha própria vida.

22.

Vinte e dois.

V-i-n-t-e e d-o-i-s.

Às vezes, sinto que não sou madura o suficiente para enfrentar o mundo, não aos vinte e dois, mas depois lembro-me que eu não quero enfrentá-lo, quero conhecê-lo. Por vezes, sinto-me pequena diante da imensidão que me cerca, mas recordo-me de Davi enfrentando o gigante Golias. Então compreendo que não devo temer os obstáculos ou os gigantes que me assombram, preciso saber vencê-los.

É assim que começo meu novo ano: pedindo a Graça de Aba para lutar contra tudo aquilo que queira me vencer. Ao mundo, ele é grande demais para ficar em um lugar só e eu, mesmo com 1,53, quero espalhar-me nessa imensidão.

Feliz vinte e dois, Dani.

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Em muitas ocasiões pessoas vão embora de nossas vidas e afirmam que estão indo porque descobriu que “você não era quem ela imaginava ser”. Em outras situações deixamos de expressar nossas opiniões ou tomar decisões porque “o que vão pensar de mim?”. Em diversos momentos perdemos oportunidades de ser quem somos porque o medo de revelar nossa essência se torna maior.

Para muitas pessoas o fato de demonstrar quem ela realmente é, se torna assustador. Não há um motivo especifico: medo, trauma, vergonha, timidez, são muitas as razões pelas quais elas se escondem. No entanto, é difícil compreender porque é tão complicado se expressar verdadeiramente. Ser quem você é por inteiro deveria ser lei inquebrável para as relações sociais.

Expectativas.

Você não precisa suprir as expectativas de quem ama você. E você também não deveria criar expectativas sobre quem você ama e se relaciona. A melhor maneira de mostrar isso a alguém é sendo sincero sobre quem você é. Contar sobre seus gostos, o que gosta de fazer, o que pensa, sua opinião política ou religiosa. Ser verdadeiro sobre seus defeitos. Tudo isso somado ao respeito mútuo do outro são valores essências para relacionamentos saudáveis.

O outro não pode cobrar por ações das quais não fazem parte de sua personalidade. Ao mesmo tempo você não precisa se sujeitar a fazer algo que não sinta vontade apenas para corresponder às expectativas de alguém. O mesmo acontece com as expectativas que você cria sobre alguém.

Naturalidade dos relacionamentos.

Relacionamentos são construídos por respeito e sinceridade. Abrir mãos de algo, em um dado momento, é natural das relações. No entanto, deve fluir com naturalidade e não porque o outro espera de você. Você não precisa se sentir culpado por ter decepcionado alguém, uma hora ou outra irá acontecer, porque nem sempre as expectativas serão correspondidas. E tudo bem, sabe? Porque expectativas não são reais, não são quem você é de verdade.

Para a paz interior é preciso construir relações no qual você esteja disposto e pronto para ser você – da pior e da melhor maneira. E nesse processo que o outro te aceite assim, do jeitinho que é. Compreendendo que você falhará, ele também, mas que estão dispostos a recompensar todos os erros e fazer dos acertos o maior motivo para ter um ao outro. Aqui, me refiro a todo tipo de relacionamentos possíveis.

Que o outro te olhe e enxergue quem você é por inteiro.